DICAS DE CONTOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Texto extraído do artigo Os contos populares e os mitos, de Jette Bonaventure.

Contos mais específicos para a primeira idade 2-5 anos


Branca de Neve - Grimm
Cinderela - Grimm
João e Maria - Grimm
A bela Adormecida - Grimm
Chapeuzinho Vermelho - Grimm
O Pequeno Polegar
O alfaiatezinho valente (a astúcia vence o maior em tamanho) - Grimm
O molineiro e seus três filhos - Grimm
Rapunzel - Grimm
O Gato de Botas
Os três porquinhos

Contos mais específicos para os pré-adolescentes 6-10 anos

O alfaiatezinho valente
Os 6 companheiros - Grimm
Contos heróicos: O irmão folgazão - Grimm
O rapaz que fez a princesa sorrir - Andersen
O isqueiro - Andersen
Marama no Rio dos Jacarés - conto africano no livro "O que conta o conto" de J. Bonaventure
Contos de diversos paises como os tibetanos: "O unicórnio", chineses, russos, celtas, com muitos heróis - col. Landy
Vasalissa, conto russo no livro de Clarissa Pinkola "As mulheres que correm com os lobos”

Muitas histórias em que a menina perde a mãe, se confronta com a maldade da madrasta e as enteadas e acaba sendo protegida pela sua conduta como na "Mãe Maria" ou "Mãe Hulda" em Câmara Cascudo.

Contos mais específicos para adolescentes

Há contos que se referem mais à busca do rapaz pela sua confirmação como homem, de maneira torpe, ou de maneira valente como há histórias que tratam mais das moças na sua busca de sair de sua estrutura familiar e adquirir seu próprio modo de pensar. Ao meu ver é interessante contar uma vez um conto aonde o herói é um homem e da próxima um conto aonde a figura principal é uma moça. Ajuda os jovens a identificar-se e entender qual é a busca de cada um, que na realidade é diferente, embora todos busquem.

A maioria dos contos nos meus livros "O que conta o conto" e “Variações sobre o tema mulher" são apropriados para essa idade e para os adultos.

A vantagem de se contar contos populares que não tenham autor, é que houve uma seleção natural, através dos tempos, do que mais tocava as pessoas ao ouvir a história. Nos contos que os irmãos Grimm juntaram, eles apenas são nitidamente coloridos pela sua problemática pessoal. O "Pequeno pato feio" era ele quando veio para Copenhague se fazer como autor e se sentia muito provinciano e pouco aceito. Depois virou um belo cisne.

Os "Sapatinhos Vermelhos" transpiram um protestantismo extremamente rígido e moralista aonde a menina tão encantada pelos seus sapatinhos vermelhos acaba morrendo de tanto dançar porque não sabe mais desamarrá-los. São contos que valem ser discutidos, mas conhecendo um pouco a vida de seu autor.

Esta é uma idade propicia a meu ver de se falar de mitos.

O mito de Gilgamesh na Suméria antiga.
O mito de Inana, igualmente da Suméria.
O mito de Isis e Osíris no Egito.
O mito de Prometeu que roubou o fogo de Zeus e o deu para os homens.
O mito de Demeter e Perséfone indo ao Hades.
O mito de Hermes que roubou ao nascer os bois de Apollo.
O mito de Hefaistos que prendeu numa rede em flagrante jogo de amor entre Afrodite e Áries (Marte e Vênus).
Os trabalhos de Hércules.
Os mitos dos índios astecas sobre a origem do mundo.
Os mitos sobre as origens do mundo de outras terras (existem livros sobre o tema).
Os mitos dos vikings sobre a origem do mundo (é interessante comparar estes mitos de diversos povos).
O Edda poético e o Edda em prosa que fala dos deuses nórdicos.
Os mitos sobre a vida e a morte, a dificuldade de se desvincular da mãe etc, no Kalevala, epopéia finlandesa.
É realmente divertido para comentar com jovens.

Na realidade, a maioria dos mitos é celebrada comunitariamente, adulto e criança presente, e falam para todos, mas entendidos a níveis diferentes, sobre situações existenciais. São repetidos, muitas vezes conhecidos de cor. O mito de Adão e Eva é recontado todo ano na noite de Páscoa na Vigília Pascal. Os contos não têm esta mesma importância na formação dos valores de um povo. Um conto não é celebrado numa liturgia.

 
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