Baseada nas idéias da ‘ciência
espiritual’ de Rudolf
Steiner, a Antroposofia (conhecimento do ser humano) é uma
filosofia que surgiu no contexto do movimento teosófico
de Helena Blavatsky.
A Sociedade Antroposófica foi formada em 1912, depois que Steiner
saiu da Sociedade Teosófica Adyar devido a divergências com
sua líder, Annie Besant. Ele foi acompanhado por um grande número
de membros da Seção Alemã da Sociedade Teosófica,
e tornou-se o presidente deste grupo.
A Antroposofia difere da Teosofia em seu foco prático, sua ênfase
no desenvolvimento de impulsos artísticos, em ter como base teórica
o esoterismo ocidental (mais do que o esoterismo Hindu ou Budista), e por
sua visão positiva do Cristo que, contudo, ainda é bastante
diferente da visão Cristã comum.
Steiner definiu a Antroposofia como “um caminho de conhecimento para
guiar o Espiritual do ser humano ao Espiritual do Universo.” Afirma
que as pessoas não são meramente observadoras separadas do
mundo externo. De acordo com Steiner, a realidade surge somente na união
do espiritual e do físico – i.e., “onde o conceito e
a percepção se encontram".
O objetivo do antropósofo é tornar-se “mais humano”,
ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e
ações. Pode-se atingir altos níveis de consciência
pela meditação e observação dos fenômenos
da Natureza e do próprio processo cognitivo. Steiner descreveu e
desenvolveu numerosos exercícios para a obtenção da
capacidade de experienciar o mundo supra-sensível.
A Antroposofia vê o ser humano constituído de três membros
inter-relacionados: o corpo, a alma e o espírito. Esta visão é completamente
desenvolvida nos livros de Steiner "Teosofia" e "A ciência
oculta" (Compare com o Gnosticismo, que tem uma visão trimembrada
relativamente parecida. Contudo, para o Gnosticismo, o Cristo é,
fundalmentalmente, uma experiência mística, enquanto que para
Steiner, a sua encarnação também foi uma realidade
histórica).
A base epistemológica da Antroposofia está contida na obra "A
filosofia da liberdade", assim como em sua tese de doutoramento "Verdade
e ciência". Estes e vários outros livros de Steiner anteciparam
a gradual superação do idealismo cartesiano e do subjetivismo
kantiano da filosofia continental do século XX. Assim como Edmund
Husserl e Ortega y Gasset, Steiner foi profundamente influenciado pelos
trabalhos de Franz Brentano, e havia lido Wilhelm Dilthey em detalhe. Por
meio de seus primeiros livros, de cunho epistemológico e filosófico,
Steiner tornou-se um dos primeiros filósofos europeus a superar
a ruptura entre sujeito e objeto que Descartes, a física clássica,
e várias forças históricas complexas gravaram na mente
humana ao longo de vários séculos.
Steiner também ministrou vários ciclos de palestras para
médicos, a partir dos quais surgiu um movimento de medicina antroposófica
que se espalhou pelo mundo e agora inclui milhares de médicos, psicólogos
e terapeutas, e que possui seus próprios hospitais e universidades
médicas.
Outras vertentes práticas da Antroposofia incluem: a arquitetura
(Goetheanum), a Agricultura Biodinâmica,
a educação infantil (Pedagogia
Waldorf), a farmácia homeopática (Wala, Weleda, Sirimim),
a filosofia (A "Filosofia da Liberdade”), a Euritmia ("o
movimento como verbo visível e som visível"), e os centros
para ajuda de crianças especiais (Vilas Camphill).
Contudo, a Antroposofia possui seus detratores. Os críticos designaram-na
como um culto com similaridades em relação aos movimentos
da Nova Era. Se for um culto, contudo, é um que fortemente enfatiza
a liberdade individual. Ainda, alguns críticos sustentam que os
antropósofos tendem a elevar as opiniões pessoais de Steiner,
muitas das quais são estranhas às visões das religiões
ortodoxas, da ciência e das humanidades, ao nível das verdades
absolutas. Se existe alguma verdade nesta crítica, a maior parte
da culpa pertence não à Steiner, mas a seus estudiosos. Steiner
freqüentemente estimulou seus estudantes a testarem tudo o que ele
dizia, e em muitas ocasiões, até mesmo implorou a eles que
não tomassem nada do que dissesse com base na fé ou autoridade.
Outra crítica afirma que alguns antropósofos parecem distanciar
suas atividades públicas da possível inferência de
que a Antroposofia é baseada sobre elementos esotéricos religiosos,
tendendo a apresentá-los ao público como uma filosofia acadêmica
não-sectária. Uma dificuldade em avaliar essa crítica é que
ela contém um preconceito oculto porque ignora uma questão
que a antroposofia procurou levantar e responder: é possível
para aquele que pensa ser tanto cientificamente quanto espiritualmente
cognitivo, ao mesmo tempo? A Antroposofia afirma que isso é possível.
A crítica supramencionada, por outro lado, assume que não é possível,
e portanto encontra uma contradição entre a afirmação
de um não-sectarismo e um embasamento na experiência supra-sensível.
Fonte: www.wikipedia.net (tradução de Juliana Klinko).
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